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Secretária de Turismo de Campo Maior recebe diagnóstico de doença contra a qual luta há meses

Foi durante a campanha para as eleições municipais em 2016 que uma lesão no pé, parecida com uma picada de aranha, acabou se revelando como um dos mais dolorosos problemas de saúde que Dlany Frota já enfrentou nos seus 27 anos. Depois de muitos exames e um tratamento que lhe causou visíveis efeitos colaterais, ela encontrou finalmente uma luz no fim do túnel.

Secretária desenvolveu a chamada 'síndrome de Cushing', causada pelo uso de corticoide, que eleva os níveis de cortisol no organismo

Dlany tem o que os médicos chamam de Vasculite Livedoide, uma doença autoimune que lhe provoca lesões nos pés, inchaço e dores constantes. Após quase um ano fazendo tratamento para outra doença, ela acredita que agora com o diagnóstico fechado vai finalmente conseguir voltar a ter uma vida normal.

A realidade da secretária começou a mudar logo após as eleições. Atual secretária da equipe do prefeito Professor Ribinha, ela o apoiou na campanha rumo à chefia do Executivo municipal. Na época sentia apenas dores fortes em uma ferida no pé, que com o tempo começou a necrosar. Foi quando ela decidiu procurar ajuda médica. “Resolvi procurar um dermatologista, que me pediu uma biopsia. No final daquele ano surgiu o primeiro diagnóstico: vasculite. Que na verdade é apenas o sintoma de alguma doença. O dermatologista me encaminhou para o reumatologista, que me pediu uma série de exames”, relata.

Enquanto isso, as feridas no pé direito continuavam crescendo. Mesmo com resultados de exames não muito conclusivos, o médico então apontou para uma doença autoimune, indicando uso de corticoide, que Dlany começou a tomar em março de 2017. Começou com doses de 20 miligramas, o que é considerado alto, e diante da melhora no quadro clínico tentou fazer a retirada da medicação, mas novamente os sintomas se agravaram.

“Na verdade nunca sarou”, ela explica. Em julho, a situação ficou tão grave que Dlany passou dias sem conseguir caminhar, dado o inchaço no pé. Nesta época, diante de analise clínica, o médico apontou uma nova suspeita: poliarterite nodosa. “É uma doença que geralmente atinge pessoas idosas, e está associada a problemas nos rins, coração, cérebro, e que provoca fortes dores articulares, que de certo eu nunca senti”, diz a secretária.

Mesmo assim ela aceitou iniciar o tratamento, mas decidiu procurar ajuda fora dos consultórios. Foi através do Facebook que Dlany encontrou outras mulheres, no Piauí e em São Paulo, que foram diagnosticadas com poliarterite nodosa, conhecida entre os médicos como PAN. “Fui em diversos especialistas, e de verdade, nunca achei que tinha essa doença. Pelo Facebook encontrei uma pessoa de Teresina que estava internada, fui visitá-la, conversei com ela, e dos vários sintomas que ela tinha, nunca bateu com o que sentia”, afirma.

Até que decidiu procurar uma segunda opinião médica, e encontrou no Instituto de Neurociências a médica Raissa Sampaio, reumatologista, cujo prognóstico apontou para Vasculite Livedoide, como confirmado em biópsia profunda solicitada pela médica, até mesmo para descartar a PAN.

Dlany já havia iniciado o tratamento para a doença, que após o resultado dos exames teve as doses aumentadas. Ela agora tenta aos poucos retirar o corticoide, medicação que lhe causou ganho de peso – mais de 25 kg – queda intensa de cabelo, irritação na visão e aumento considerável de estrias nos braços e pernas. As mudanças no corpo, por dentro e por fora, mexeram com a autoestima da secretária.

Foto do pé feita nesta terça (30), já bem menos inflamado. No calcanhar, os pontos da biópsia realizada semana passada.

“A parte mais difícil é deixar de fazer tudo. Tive de sair de Campo Maior para ter aqui em Teresina o apoio do meu marido e da minha mãe, já que passei muito tempo sem caminhar. Como antes era muito ativa, ter de ficar sempre em casa foi muito ruim. Quando tinha uma melhora nas lesões, ainda tentei retomar, mas tudo novamente piorou. Estava me apressando, principalmente para fazer exercícios, por ser chato engordar o tanto que engordei. Não ando mais de saia nas ruas escondendo as estrias. Mas tive de por na cabeça que preciso primeiro ficar boa. Como me exercitar, se nem um tênis consigo calçar? Fora o constante risco de infecção, já que as feridas ainda estão abertas”, relata Dlany.

Em pouco mais de uma semana fazendo uma nova dieta indicada pela nutricionista, ela tem de conviver com alimentos que tenham baixo teor de açúcar, sem lactose e sem glúten. Como resultado, já desinchou bastante e conseguiu eliminar quase três quilos.

Agora, graças a uma rede de apoio que criou no WhatsApp, ela vem descobrindo sobre as mulheres que conseguiram retomar a rotina após controlarem os sintomas da doença com uso de medicação aliado à alimentação balanceada. São nove pessoas no grupo, de Teresina e principalmente de São Paulo, estas atendidas no Hospital das Clínicas, onde novos tratamentos vem sendo testados. Elas trocam dicas, informações sobre novas medicações, novos tratamentos feitos no exterior. Até mesmo um convite para Dlany se tratar em São Paulo, caso o novo tratamento não tenha efeito.

“É uma doença de difícil diagnóstico. Tem gente que controla com medicação e alimentação e nunca mais as lesões aparecem, mas tem paciente que todo ano aparece ferida. Sei de paciente que está há seis anos sem aparecer lesões. O bom é que já com esta nova medicação percebi uma melhora, está surtindo efeito. Meu pé estava uma bola, inchado, hoje já consigo caminhar. E toda semana tento retomar as caminhadas, mas ainda sinto dores. O trabalho, venho fazendo pelo computador, desenvolvendo projetos, tratando sobre a documentação necessária para Campo Maior permanecer no Mapa do Turismo, o que posso venho fazendo”, diz.

E ela garante: “Parar de trabalhar, isso nunca parei”.

Fonte: Apoliana Oliveira/180 graus

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