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Especial trás o raio-x do sofrido futebol piauiense. Comercial e Caiçara são destaque

A cada abertura de temporada, os sentimentos de ano novo, título novo, são renovados. O Campeonato Piauiense 2015 é o grande atrativo por se tratar do principal trampolim para competições nacionais. Por voos cada vez maiores, River-PI, Flamengo-PI, Piauí, Parnahyba, 4 de Julho e Caiçara entram em confronto direito pelo título estadual do próximo ano.

Contudo, a realidade destes clubes se agrava a cada segundo semestre. A falta de interesse das equipes e a pouca oferta de competições, à exceção da Copa Piauí, tornam amargos os últimos meses do ano. Portas fechadas, atletas em regime de férias forçadas e acúmulo de débitos em decorrência da inatividade. O Especial “360º: A realidade do Futebol do Piauí em todos os ângulos” analisa este contexto econômico e político de extrema dificuldade.

O que mudar? Reformular o atual modelo? A Federação de Futebol do Piauí agiu: montou um calendário com uma melhor distribuição de competições durante o ano. A renegada Copa Piauí tem sua edição do próximo ano confirmada, condicionada aos clubes inscritos no Estadual.

Mergulhe na realidade de complicações dos clubes piauienses sob a ótica realista de Chicos, Antônios e Joãos, personagens que ajudam a construir essas tradicionais agremiações.

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CAIÇARA E COMERCIAL 

Terra do mais sangrento confronto na guerra da Independência do Brasil, Campo Maior – cidade do interior do Piauí – tem o orgulho de ter defendido no longínquo 13 de março de 1823 a unidade do território brasileiro na “Batalha do Jenipapo” contra as poderosas tropas portuguesas. Além da história, contatada por Laurentino Gomes no livro 1822, os 46 mil habitantes da cidade piauiense também têm a tradição da carne de sol na culinária, os carnaubais da exuberante vegetação e a paixão irrestrita a dois clubes da cidade: Caiçara e Comercial-PI. No século XXI, a dupla “Caco” tem uma luta árdua nos gramados: reconquistar o espaço de cada um no futebol piauiense.

A Prefeitura de Campo Maior, segundo números da diretoria do Caiçara, desembolsou R$ 100 mil – divididos em cinco parcelas – ao longo do Estadual deste ano. Em 14 jogos no Campeonato Piauiense, o clube somou seis pontos. Foram 10 derrotas, três empates e apenas uma vitória. Levou 34 gols, marcou nove e aumentou em 60% as despesas com deslocamento, segundo levantamento interno. A campanha fraca trouxe o apelido de “patinho feio”, rebatida de forma irônica pelos dirigentes.

O bom humor, aliás, é uma característica marcante do Leão do Norte. O presidente Francisco Ispo chegou a convidar a seleção brasileira para um amistoso, após a humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo. As gargalhadas, porém, foram interrompidas após a denúncia de trabalho escravo feita pelo Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado. A entidade alegou falta de material esportivo e as condições precárias. O clube nega.

Francisco Ispo prefere esquecer o episódio da escravidão e faz planos para o próximo ano. Imaginando um Caiçara forte, o dirigente não descarta – quem sabe – o primeiro título na trajetória do clube.

Enquanto vê o principal rival em maus lençóis, o Comercial-PI padece longe da elite do futebol piauiense e reúne os cacos. Campeão piauiense em 2010 e vice no ano seguinte, o Bode é o time piauiense em melhor colocação no ranking nacional dos clubes da CBF. Posição que enche o presidente Arnaldo Pericó de orgulho ao deixar “os grandes” para trás.

Diferente do Caiçara, o Comercial-PI não aceitou participar do Estadual com o Deusdeth de Melo fechado. O clube alegou “prejuízos irreparáveis”, decisão que não gerou lamentação aos dirigentes da equipe rubro-anil.

 A questão financeira é um problema crônico em todo o nosso futebol. Todos os times do interior recebem dinheiro da prefeitura, que não é obrigada a pagar, ou melhor, ajudar aos clubes profissionais. Quem deveria fazer isso eram as empresas, porque é uma troca em divulgar as imagens. Sem a nossa praça de esporte, o Deusdeth de Melo, tivemos experiências horríveis. Por isso, a falta do estádio foi um pilar para o Comercial se ausentar.

Fora das competições profissionais, a alternativa do Bode foi investir nas categorias de base. O clube conta com 45 meninos registrados. Pericó confia em bons resultados. Este, pelo menos, é o desejo de todos.

Fonte: Globoesporte.com/pi

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