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TÚNEL DO TEMPO: Campomaiorense Neto narra a história da 1º Rádio de Campo Maior.

O campomaiorense João de Deus Neto que reside atualmente em Curitiba no estado do Paraná, tem mostrado em seu blog [email protected] a história de Campo Maior, como essa sobre a primeira rádio da cidade nos anos 60.

Rádio Clube de Campo Maior – Transmitindo do Túmulo do Tempo…

“Segura o bode Dr. Zé Miranda!”

por José Miranda Filho

Esta postagem me traz ótimas recordações de uma fase da minha vidinha. Como a fase do jornal A Luta. Apenas começava a funcionar a Rádio Clube quando fui convidado para proceder a um teste, uma prova para ter ingresso nela. Fui recebido pelo Paulo Penha, especialista “importado” pra fazer a emissora funcionar e exercendo, inclusive, a função de locutor; possuía uma voz primorosa. Ele me colocou diante de uma máquina de escrever, parecida com as da dona Edmeé, talvez menos velha, e me mandou datilografar um texto de notícia. Então, fui aprovado, aproveitado para a função de Redator, noticiário da noite – sabem que não me lembro se havia outro? Uma única vez me vi obrigado a fazer a leitura do jornal, isto é, a apresentá-lo. Fiz com a insistência de nosso operador de som, o qual enfatizava que não ficaria bem o noticiário não ir ao ar. A razão foi uma chuva forte que impediu o comparecimento de todos os locutores naquela noite. Então, subiu aos céus campomaiorenses a minha voz rouca e nasalada. Que constrangimento! Contava, como a canção do Fábio Jr., vinte e poucos anos (muito poucos anos, realmente). Depois de um mês de trabalho, exultei de alegria com o primeiro salário da minha vida: 40 cruzeiros, que recebi do seu Mousinho, o Tesoureiro, na sua loja mesma e com um nome fictício no recibo, porque a emissora ainda não estava regularizada no DENTEL (foi o que ouvi dele).

Político e supervisor da rádio, Mamede Lima, e o repórter e locutor Chico de Paula.

Servia na Rádio Clube com muita responsabilidade e orgulho. Mas, pelo que me lembro, não portava o cartão que a colega Francy portava, esse de Radialista. Estará tão fraquinha assim a minha massa encefálica?! Ainda era na Praça do Rosário, posteriormente num prédio do Ten. Jaime da Paz, 2º pavimento, na Av. José Paulino e, logo em seguida, no mesmo edifício, porém na Av. Demerval Lobão.

Tive como Supervisores Sales Oliveira, Mamede Lima, Edilson Polidoro, que me ascendeu, cumulativamente ao cargo de Redator, ao de Assessor do Supervisor, recebendo um pouquinho mais. Senti-me valorizado pelo Edilson, que havia sido meu professor de História Geral, no Ginásio Santo Antônio. Fiquei honrado, porque vi no seu ato algum mérito meu. Tive o prazer de trabalhar com os locutores Francy, Chico de Paula, Agostinho Lopes, com Maria José, com a cronista social Sílvia Melo, os apresentadores do noticiário esportivo Barrinha, Melinho e Luiz Cláudio (Icade). Porém, um lamentável lapso de memória me impede de lembrar a função da Maria José e o nome do único e competente operador de som, além de algum(ns) outro(s) companheiros, pelo que lhes peço perdão. A emissora passava pela conhecida “fase experimental”, que já se alongava um pouco, resultando em que ficasse no ar apenas cerca de 3 anos.

Nesse dia fatídico citado pelo ZAN – um dos mais tristes da minha existência -, ao chegar à Rádio para mais uma tarde de trabalho (continuar a redação do noticiário daquela noite), me deparei com a agitação do seu fechamento, processado pela própria Polícia Federal! Foi uma desolação enorme; a cidade se privava da sua rádio (infeliz sina da terra-do-já-teve) e nós estávamos desempregados. Sim, João Antonio, não se escutaria mais a voz animada do Chico de Paula, no seu programa “Forró no Asfalto”, enviando recados do tipo: SEGURA O BODE Dr. JOSÉ MIRANDA. 

Fotos: Museu do Paulo – Francisca C. da Silva – BitorocaraBlog

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