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O Governo Municipal de Oscar Castelo Branco Filho (31/01/1955 a 31/01/1959): a volta da política oligárquica.

Oscar Castelo Branco Filho chega à prefeitura em 1955 com a missão de superar ou pelo menos manter no mesmo patamar as realizações e conquistas do governo progressista de Raimundo Santana, responsável por organizar a administração municipal, deixando em condições favoráveis para aqueles que tivessem o anseio de dá continuidade ao projeto de modernização da máquina burocrática da prefeitura, tão necessário para o bom desenvolvimento social e econômico da cidade.

Um dos pontos interessantes da gestão de Castelo Branco era a representatividade política da família Bona no governo de Oscar Castelo Branco Filho bastante significativa não somente com a figura do vice-prefeito Dácio Bona, mas com Humberto Bona dando sustentação política ao prefeito na Câmara Municipal, como um setor importante do serviço público na nomeação de Francisco Bona como médico cirurgião da prefeitura, além de conceder privilégios a outros ilustres membros desta família como Honório Bona. As oligarquias campo-maiorenses mantinham-se no poder por meio de alianças que uniam os “chefes políticos” representante da mais prestigiadas famílias da cidade. O empreguismo e a troca de favores eram os pilares que sustentavam a coluna dessa estrutura ideológica erguida na fraude eleitoral e na corrupção.

A forte presença e atuação política do secretário da prefeitura (hoje chefe de gabinete) Raimundo Antunes Ribeiro na articulação política do governo junto a Câmara Municipal na intenção de blindar críticas à administração era constante. A presença de Antunes Ribeiro no legislativo prestando contas, demonstrando as ações administrativas, articulando politicamente com parlamentares da situação e costurando entendimentos com vereadores da oposição na governabilidade da cidade, proferindo discursos e explicitando diretrizes ideológicas do governo perante a sociedade e políticos foi uma marca fundamental.

No seu governo teremos uma atenção dada à política econômica de valorização da cera de carnaúba, ao premiar os proprietários rurais que plantassem carnaubeiras. Apesar do homem forte do governo prometer uma melhora no setor educacional muito carente na época, vimos tímidas realizações neste setor, com ênfase mais na manutenção e na ajuda das instituições de ensino.

O governo de Oscar Castelo Branco não promoveu grande desenvolvimento social e econômico para Campo Maior, porém manteve as normalidades administrativas e ações governativas da prefeitura, possibilitando algumas realizações como entendimento entre a prefeitura e órgãos federais (SESP E DNOCS) com o intermédio político do Deputado Federal Sigefredo Pacheco para implantação do serviço de água e esgoto de Campo Maior. É no governo de Oscar Castelo Branco que vamos ter a criação institucional do SAAE. Esta talvez seja a grande política do governo de Oscar Castelo Branco para Campo Maior.

A instalação na cidade da 1ª Companhia de Construção pertencente ao 4° Batalhão Ferroviário, sediado em Crateús- Ceará. Concessão de terra para aforamento em favor do Iate Laguna a pedido do seu presidente José Francisco Bona para a construção do clube a margem do Açude Grande em 1958. Auxílio para compra de Jeep para a paróquia de Santo Antônio.  Auxílio para a construção de açude na fazenda Pedra Grande de propriedade de Dr. Joaquim Antônio Oliveira. Auxílio para a construção do seminário diocesano de Teresina.

Os projetos de leis que beneficiavam a Igreja Católica na gestão de Oscar na sua maioria eram de autoria de Humberto Bona. Havia uma boa ligação entre membros políticos da família Bona com a Igreja Católica. Oscar Castelo Branco possibilitou a implantação do Frigorífico do Piauí Ltda. (FRIPISA) em Campo Maior por meio da doação de terreno, isenção de impostos e compra de ações da empresa estadual.

No fechar do seu mandato, Oscar Castelo Branco determinou o ingresso indiscriminado de pessoas sem concurso público em caráter efetivo no quadro de funcionário da prefeitura, contrariando assim a constituição estadual. A administração municipal de Oscar Castelo Branco não trouxe grande impacto social e econômico para Campo Maior (tirando a implantação do FRIPISA e a instituição do SAAE), apenas administrou interesses de instituições (Igreja Católica, por exemplo) e a manutenção de privilégios de pessoas que há anos se beneficiavam do poder público, tudo com a conivência da Câmara Municipal que manteve longe dos grandes embates ideológicos ocorridos entre próceres da UDN e PSD em gestões anteriores, os interesses de então.

Por Professor Celson Chaves

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